Este blog contém alguns poemas publicados na Agenda da Semana do site Cultura Pará.
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27 de jul. de 2010


Não é a água (O) que se bebe



Para encantar pedras mais leves,
dizer
à chuva: eis: ele, o Orvalho em chamas

Mesmo  Se espessamente
caindo sobre nós

O
lodo
O
escorpião

não escondeu seu mal para nascer
O
Anjo sobre a Terra?

A fome

Não sonha com a abundância?

E o pão,
não foi um dia o filho?

Vê sem agonia o que te diz o início deste dia:

se com a Sombra foram tuas as Asas que ascenderam à Lua, tua Poção de Chamas
insistir
na devoção pela Ausência,
soprar
as cinzas
para criar um bosque de sussurros

orado

junto ao fogo
pela Água da Luz apagado: eis: Tu, o Orvalho humanizado

       Vicente Franz Cecim

26 de fev. de 2010

OS GRANDES MESTRES


Há uma qualidade que os homens ignoram: viver é
menos
Queda que a pedra da memória
e mais do que as serpentes reconhecem: O odor humano
Está
entre as estrelas morrendo nos seus sonhos
e a terra fria afagada contra o peito
antes de lançar um sol sobre as suas vítimas
Se isso se parece um pouco com as residências do mal
e com casas perdidas em si mesmas,
foram os Cálices da espécie que deram à vida a nutrição e os tumultos
Eu falo da invenção da sede
Porque o homem é o animal de areia que dá sentido às fontes do real
e quanto a noite cai,
bebemos a água escura do ventre das mulheres

Mas vejam: o escorpião instalou as suas ferragens
O céu tem suas lágrimas em silêncio
O caracol da voz,
quando sussurra os enigmas da chuva,
sabe:
Quase nunca é tempo
Quase nunca é tempo
para o perfume do sangue
Quase nunca é tempo
de permanecer humano
Esses rios têm espelhos partidos, e tudo o que foi
submerso
é um caos perdido


Vicente Franz Cecim

22 de fev. de 2010

VINHO DO ENCONTRO


Por sua chegada com o acontecimento
dos repousos

Das regiões selvagens
Por sua chegada
Por sua vinda ao Encontro

daquele que na sombra treme de prazer

sua chegada de lodo
e sua chegada de fonte

que ali é
espera e guarda à residência


Vicente Franz Cecim,
do livro “Música do Sangue das Estrelas”,