Este blog contém alguns poemas publicados na Agenda da Semana do site Cultura Pará.
www.culturapara.art.br

26 de mar de 2010



POEMA-CORPO

Não tricotei 
Meu corpo 
Nem fiei 
A golpes de fúria 
A queixa 
Que ele se queixa 

Por seus poros 
(ele diz) 
o mundo 
entra e sai 

no último inverno 
o tempo em chuva 
a escrita foi de água 
e a poesia 
só não naufragou
porque se atirou num bote 

desde então 
sôfrego 
após pisar 
num búzio 
meu corpo 
desliza 
numa pátina 

hecatombe


Jorge Andrade,
do livro "Em Memória da Chuva",
Prêmio IAP de Literatura - 2002


21 de mar de 2010

¨
A minha canoa vive
além de mim e da morte.
A forma é sua eternidade.
Língua e linguagem. A sorte.

Eu sou, enquanto navego,
de seu ego, nave, templo.
A sua razão de ser.
Metáfora do momento.

Oh! Geometria com alma!
Assim é minha canoa...
Boiúna boiando. Vago
lume vago que flutua.

O que ficará de nós,
além do nada que é nosso:
madeira, quilhas e ossos
cabelo, pedra e verso?

    João de Jesus Paes Loureiro,
        do livro "O ser aberto"