Este blog contém alguns poemas publicados na Agenda da Semana do site Cultura Pará.
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21 de jun. de 2010


A PEDRA


o miserável adormecido nos braços da estátua
4 leões lambendo a madrugada

 dilata-me as narinas o mal cheiro da Pedra
a baía fustiga barcos com a língua
me açoitam impulsos noturnos
aparto-me da alvorada
dobro o pescoço
abro asas negras devassas

 do alto avisto o mercado a igreja a praça

 puro pássaro – pouso a teu lado
cravo garras na poezia e seu cadáver
revolvo toda a carniça

perverso

daquelas entranhas extraio
verso
verso
verso

até ficar saciado

                              
                           Dand M

21 de fev. de 2010

POSSUÍDO


um haikai se quebra
criaturas poéticas alargam a cova da vida

oh terrível — efêmera poezia

estilhaços de neón na casca do céu
um clamor se alastra na queda da noite

sentir é ato solitário

opulento me possuo — e posso ido
sorver a idéia de ser mais que o Mar Absoluto
lavar as mãos sujas do afago e do golpe

parecer Outro


Dand M,
do livro “possuído, ou a diluição de lorena”
XXVI



ó barcos - para onde ides?

que tão longuíssimo braço de rio

vos ata e afoga

em que águas remotas

de que beleza guamada?

ó barcos que vão pescar

fui eu quem vos sonhou - me levem convosco!

Ápires

Estela do Mar

Dois Irmãos

ouvis este chamado

a poezia se formando

dos ossos deixados no cais

em mim

ouvis!

mas não partis

não vos repartis de mim

ó barcos feridos no horizonte!



Dand M,
do livro “BRANCO - ou 33 poemas diluídos”,
p o e m a l í q u i d o nº 3


sobre as margens que vão enlouquecer

searas

restos de alvorada

o entardecer despe-se em mim

e

diz

:

secretas flores

troncos nus

brumas cortadas

açaizeiros tesos

esteios d’água

e


cala


Dand M,
do livro “André Invisível”