Este blog contém alguns poemas publicados na Agenda da Semana do site Cultura Pará.
www.culturapara.art.br
Mostrando postagens com marcador Paulo Vieira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Paulo Vieira. Mostrar todas as postagens

16 de abr. de 2010

   
       fragmento


nas pontas de teus dedos havia um fogo gelado
que se derramava na pele quente

não sei dizer se as montanhas ficaram para trás
do sono anêmico da sombra sem dono
                                     ou se meu abandono
transmutou-se em pássaro de asas mudas

tuas estrelas, contudo, só desaparecem
quando a noite fecha os olhos para dormir e

logo

em meio a poeira amarelada do poema ressurges
como um sol de bronze ou
                                           ro


    Paulo Vieira

22 de fev. de 2010

o vento inda soletra um nome


assombra-me a casa sobre o sal.
acaso moras aqui comigo?
teu seio/sol enfrente o mar remoto.
enfrentas maremotos e
espumosa te desdobras
em itinerário para peixes.
o vento inda soletra um nome
enquanto a lança me rasga
as águas e arde e some
a velha águia não se cansa e
na planura revê penas e perdas.
EU repouso ossos de areia
em negros túmulos de pedra
sem alarde, em mim TUdo arde.


Paulo Vieira,
do livro “Orquídeas Anarquistas”,


trama

deves tramar o poema
enquanto há sereno
e teu relógio líquido
se derrama
nas ramagens da campânula
deves ouvir os passos
saber a imagem
da mulher te seguindo
(seus braços de treva
erguendo a foice minguante
sobre tua cabeça)
deves sentir o sangue
derramado ao pé do cipreste
deves tramar o poema
&
nadar
(contracorrente)
enquanto o coração não entende
as rodas dágua atropelando peixes
no marnoturno
deves tomar de minhas mãos
este cálice devastado
e na fronteira
entre
o meu e o teu
país
deves erguer
uma fogueira



Paulo Vieira,
do livro “Orquídeas Anarquistas”