Este blog contém alguns poemas publicados na Agenda da Semana do site Cultura Pará.
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28 de jun. de 2010


24 de fev. de 2010


TUTU AINDA
enfronhada na luta
entre leito ser campo
de sono ou sexo
(treva seminada
      entre
      entrar-se
ou ser entrada),
se és
refletida
essa pergunta, uma resposta —
aceitas a espera
e a sombra
da espera.

(Eu, ainda desoutro de mim,
todo, dobrado
centauro centrado num trono
de águas,
              ergo —
playtime! — o centerfolder aberto
diante do corpo fechado
em obras
             (menos barro,
             mais espírito
             agora) e já
outro, semi-nada de mim,
vice-touro na sombra, donde falo:
“Destro de mão ou pata, por ti
brando suave
a espada”)

Age de Carvalho
do livro “Caveira 41”, Cosac & Naify, 2003

22 de fev. de 2010

A vocês,

          de coração,

lego o jogo
da concórdia
entre irmãos que são —
longe de mim,
libertos então
de mim.

(Beijo a imagem:
verão, vocês
descendo a Gärtnergasse
em senso único,
pisando o chão do mesmo sangue,
manos, mãos
dadas).

Dobrada a esquina,
mundo-rei, chegam
notícias do front: eles
a postos,
cada um
latindo a sua missa,
a boca cheia
de Deus.


Age de Carvalho,
     
Do livro "Trans" (inédito), 2010

17 de fev. de 2010

NA BELÉM de-bolso,
pouca, de pôquete, vinda
na bagagem
contigo emigrada,
cabia

o lugar aqui súbito
exorbitado num ,
toda a poesia-mestra de Max Martins
anterior ao Para ter onde ir,
um ramo olente de cidreira seca,
um estoque de sotaques,
tua estrela de contrabando no bolso,
hum mil dólares na sola
do sapato — e
uma última vez Val-de-Cãs
na despedida

em direção à
escala de sete noites
em Caiena,
caminho de ida
(a bordo de teu destino,
estrela-passageira, cruzando
à noite a Selva queimada
sob a asa, ala
de não-fumantes,
reclinado sob o luminoso
TUDO É MAIS TARDE”)
sem volta:

foi tudo
(um tudo) que havia
a declarar.


Age de Carvalho,
     Do livro "Trans" (inédito), 2010