Este blog contém alguns poemas publicados na Agenda da Semana do site Cultura Pará.
www.culturapara.art.br

7 de mai de 2010



Eu era feliz dentro das palavras que me calavam.
Deparava-me com a diferença entre o sonho, que é infinito,
e os pequenos movimentos das pessoas adormecidas.

Eu era feliz como um dia é feliz, como a noite.
Meus pensamentos eram imagens felizes, às vezes significavam algo.
Eu tinha a liberdade de não existir.

Quando era feliz e livre, carregava comigo todas as possibilidades
como quando há espíritos vivendo em uma casa e, por causa das paredes,
eles não estão necessariamente mortos.

Porque minha vida era uma história que alguém soprava ao meu ouvido,
de repente o futuro tornou-se tão concreto quanto o que acontece neste exato momento.

É preciso paciência diante do momento único.
Eu não falo; ele não muda.


      Rosângela Darwich




2 de mai de 2010

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Soneto da Palavra Esquecida

Busco a palavra que serve neste verso
Não é amar, nem noite, nem esperança.
Nem o que lembre mar ou rio perdido
Lago, luar ou solitária dor.

É uma outra que me foge ainda
E que sentado aqui neste momento
Procuro em vão na noite adormecida
Enquanto no céu corre a lua cheia.

É uma palavra que encerra gestos
Interjeições de espanto e de surpresa
Mas que esqueci talvez há muito tempo

Significa desespero vão.
Arrependimento de amar causas partidas
De ser poeta nesta noite plena.

    
            Cauby Cruz
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