Este blog contém alguns poemas publicados na Agenda da Semana do site Cultura Pará.
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25 de abr. de 2010


ENSAIO


A palavra não existe
Ela se fez (in)vento

O homem não existe
                 – blefe –
ele fez-se da pala da palavra

                 Homempalavra
                 palavra(H)omem
                 homemqu-as-ehomem
                 palavraquaselavra

O homem-hímem
é das pencas, de palavras:
         filho de larvas

o homem constrói/destr
           a palavra

A palavra,
                o que
                do homem?


      Paulo Nunes


22 de fev. de 2010

SILENTE

Pra Josse , verbo e cosmogonia


Palavras engordam ou emagrecem a vida porque são.
Palavras.
Nem cor nem cheiro nem sabor: fonemassílabas porque palavras.

Palavra, essa alardia, essa lavra, essa prava,
essa vala-comum que silencia mas repete:
gritographopherida em silêncio:
Psssiiiiuu!

Quero o ressurgir da vida
vez que
palavra é ereto pênis e vulvaouvido recebendo,
pneumassêmen partindo o desespero,
é filho colando-se à boca do útero teu.

Isto é palavra.
E fiat lux!



Paulo Nunes
G:


Já faz tempo,
amada,
que navegamos aos becos do sol.
Neles não hasteávamos flâmulas
não se mostravam bússolas
e nem existíamos,
havíamos.

o sonho dos arcanjos e
o beijo dos namorados
viam Teseu nos labirintos do som.

Mas o que fazer se Clio é infeliz?
O que dizer das linhas
- vias ­-
que se plantam às mãos?

O meu-teu luar via vícios de violinos

Amar é verbo,
gerúndio passivo
de infinitivos atos

Por isso,
Ariadna,
acasalamos nossas bocas,
o laço que o ímã atrai,
nos labirintos do sol.

Paulo Nunes,
do livro “Ou: poemas não são linguagens”