Este blog contém alguns poemas publicados na Agenda da Semana do site Cultura Pará.
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22 de fev. de 2010

COMO ILHA, PARA ÁGUA


me dás de vestir.
como água mal acomodada pelas arestas de tuas
fincadas impossibilidades, eu escapo para um lugar
ao longe. e és tu, terra frutífera, bendito chão, que
me segues. te manténs irrigado em sumos
desapossados de mim
como memória de desmanches insulares para a
tua superfície áspera
despachas partículas de terra e hábito à minha
campanha, teu amor e hábito é que me seguem.
moves uma ilha sob os meus passeios, constante
que é o teu amor ou costume no meu toque
essencial. tuas amadas partículas, que me ceguem.


Élida Lima

21 de fev. de 2010

II



Na luz fria a paisagem aparece bruscamente alta e longa. No feixe verde se estendem alfinetes que projeto. Escolho um canto para sentar meus girassóis e avistar crescerem os grãos de milho. Passa dia, passa tarde, dóem-me os calcanhares pela posição de culto. No tricô das árvores, tece o vento sua jibóia curtida que vem lanhar ao sol do meio dia. Lambo passos ao longe. Calço as luvas molhadas. Um espinho no polegar me anuncia de volta, enquanto as nuvens torcem o âmbar da noite que bate à pedra, pedindo entrada. Jorro de medo, avisto um balanço totalmente parado, enquanto meus cabelos emaranham, voados. Faço fogo no que vejo e aqueço o tudo à volta. Deito-me à relva e de imediato sinto cheio de chá. Sou uma xícara com uma aliança dentro. Desfaço-me com a solução de mil agulhas e desmancho como um rio. O rio que sou. O rio que lava os trapos. O rio que leva os ponteiros por onde o tempo escapa.



Élida Lima
Jogos de Outono


nos reconhecemos quando caiu o outono. não havias trazido o teu casaco. eu estava bem agasalhada, mas ainda não era preparada para o fri... qualquer frio. eu queria esfregar teus ombros estreitos, esquentar o teu nariz nos meus........ largos planos. não o fiz. minha viagem supersônica que não sabia respeitar o orgânico das coisas, mas te entreguei sem convidar para os meus jogos. não, as minhas brincadeiras de aquecer. eu ia precisar do teu calor. foi a primeira vez que o outono caiu para mim.o outono foi a primeira estação que eu senti cair.


Élida Lima