Este blog contém alguns poemas publicados na Agenda da Semana do site Cultura Pará.
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22 de fev de 2010

Estranha Mensagem


Ela veio nas trevas quando havia silêncio
e de novo trouxe a ternura dos galhos tombando para a madrugada.
Eu subi do fundo do mar como um líquen liberto
para ouvir a sua voz que era imensa
e trazia a ansiedade das flores explodindo,
mas só vi o silêncio, enorme como a noite.
E ela chorou dentro da minha tristeza
Porque era como a revelação do que eu havia perdido.
Ainda trazia nas mãos o frio dos troncos úmidos da noite,
e nos olhos a humildade da terra encharcada de chuva.

Um dia eu descerei verticalmente a para sempre
ao fundo deste mar onde ela mora
como um barco de pescadores desaparecidos.


Paulo Plínio Abreu (1921-1959)

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