Este blog contém alguns poemas publicados na Agenda da Semana do site Cultura Pará.
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21 de fev de 2010

(Mandesltam)


Hipno guarda a criança
envolta pela música,
alheia às catástrofes;
o homem traslada-se
para fora do tempo
com a mensagem lida
no tronco da amendoeira
que nunca vergou.

O muro ruiu
sob o brilho de estrelas frias,
sobre paixões demolidas,
desencanto e dúvida.
Perante o que foi, é e será.

Mas tu

permaneces.

O sol negro couraça
as palavras que erguem
uma muralha contra a dor.

Um ícone decora as ruínas,
as esquinas sonâmbulas
do outro mundo.

Para que o testemunho
possa chegar ao seu destino
agasalha na ânfora
a palavra estrangulada pela neve,
arrasta o exílio
no ponto
negro.

Fala
para que não esqueçam,
a terra invoca suas metáforas
– será mesmo assim? – .

O silêncio possui aos poucos
o sono dos homens
irremissível.


Jorge Henrique Bastos

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