Este blog contém alguns poemas publicados na Agenda da Semana do site Cultura Pará.
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22 de fev de 2010

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Ouvia o canto de um rouxinol por entre as casas
quando alguém perguntou se somos espécies grandes de pássaros.
Não, eu disse, rindo onde hoje não mais riria,
pássaro que sou, pesado de saudade.

Envelheci enquanto olhava os telhados do que sei agora.
Som que se mantém através das aves,
o passado é um espelho sem asas como eu,
parede coberta com a imagem da parede oposta.

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Outras coisas que conheço e que fazem parte do que me pertence
são também como o tempo
porque o tempo desfila vôos de vários pássaros defronte de olhos cansados
e nos amanhece intacto.

Assim como o tempo se quebra em vários pedaços
e desfila asas de vários pássaros em movimento,
que nem tudo nos guarda.
O tempo, ele próprio, nos fecha as asas,
aquece as penas do ventre.

Longe das cascas das árvores, dos galhos altos das árvores,
de quando ainda se pensava vir algum poder de anjos
e fazer, de cada um de nós, anjos pelos ares.


Rosângela Darwich

Um comentário:

  1. Ser o poema como Rosângela é ser o poema... Sem decifrações, sem traduções. Um grande paradigma de si mesma. A percepção correta das palavras que não canso de ouvir!

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